Estimativas do Inca (Instituto Nacional do Câncer) apontam para o surgimento de cerca de 15 mil novos casos de câncer no Brasil em 2016 e deverão ser atribuídos ao excesso de peso e à obesidade, que aumentaram de forma alarmante nas últimas décadas. A nutrição e os exercícios físicos são muito discutidos como fatores de extrema importância para nossa saúde. Tanto no curto como no longo prazo, ambos têm papel fundamental para a qualidade de vida e longevidade.

Os três tipos de câncer responsáveis pela maior parte dos novos casos da doença em 2016 (excluindo o de pele não melanoma) são fortemente relacionados ao excesso de peso e à obesidade: próstata, mama e cólon e reto. Neste texto, falaremos sobre a nutrição e sua relação com o surgimento do câncer.

Os alimentos que ingerimos têm grande importância tanto na prevenção como na formação de tumores (carcinogênese). Não de forma isolada, mas em associação com fatores genéticos e ambientais. Mudanças no padrão de alimentação tradicional do brasileiro e o elevado índice de sedentarismo, entre outros fatores, criaram condições para um grande aumento de casos de obesidade no País, seguindo tendência verificada em países desenvolvidos.

Alimentação inadequada contribui para aumento de casos de obesidade, câncer e cardiopatias

Alimentação inadequada contribui para aumento de casos de obesidade, câncer e cardiopatias

O brasileiro está trocando o tradicional feijão com arroz e os alimentos frescos por produtos industrializados de toda sorte, fast food, bebidas açucaradas, biscoitos. Esse processo aconteceu ao longo das últimas décadas e já provoca impactos diretos na incidência de câncer.

Quanto aos nossos hábitos alimentares, temos duas situações distintas: a primeira é a alimentação do cotidiano e a segunda compreende os eventos sociais e prazerosos. Calma… Elas não estão completamente separadas e a segunda situação não é um pecado sem perdão.

No cotidiano é muito importante termos uma dieta equilibrada, pois é fundamental para nossa saúde. O que precisamos para isso? Dietas impossíveis de seguirmos e deixarmos de lado tudo o que gostamos? Não.

Planejar a quantidade e qualidade do que ingerimos é o que importa para a saúde. E não estou falando de ficar contando calorias para ficar com um corpo bonito por causa do verão. Nosso objetivo é a longo prazo. A dieta equilibrada vai nos ajudar na prevenção das principais causas de óbito esperado na população que está envelhecendo em nosso País, os cânceres e as doenças cardiovasculares.

Isso mesmo, uma dieta adequada diminui o risco de desenvolvermos câncer e doenças do coração. Quer saber como? Então vamos lá.

O tempo todo nossas células estão envelhecendo, sendo reparadas, morrendo e sendo substituídas por outras novas. Nesse ciclo, podem ocorrer erros e consequentemente, a formação dos tumores. Alguns alimentos agem nesse ciclo de forma boa, ajudando a reduzir a carcinogênese, porém, outros aumentam a chance de formação de tumores.

Isso não significa que devemos comer somente os alimentos “bonzinhos” e abolir de nossa dieta os alimentos “perigosos”. Vamos retomar a primeira situação, a alimentação do cotidiano. A função da alimentação no nosso dia-a-dia é nos manter vivos, fornecendo energia e nutrientes essenciais. Portanto, é quando devemos cuidar do equilíbrio, da quantidade e qualidade dos alimentos. A segunda situação é aquela onde encontramos amigos e nos reunimos para uma boa conversa e em geral, isso é acompanhado de comidas saborosas e bebidas boas. Precisamos abrir mão desses momentos? Ficarmos antissociais ou sermos aquele cara chato que não come nada porque não é saudável? Não… Esses momentos são fundamentais para nossas vidas. O que precisamos é avaliar a frequência com que damos essas “escapadas” e se isto sai demais do nosso planejamento alimentar.

Finalmente, quais alimentos são nossos aliados? Em geral, frutas, vegetais, fibras e legumes pois possuem ações antioxidantes, vitaminas, diminuem o tempo de trânsito intestinal, reduzindo o risco de tumores do trato gastrointestinal, pulmão, mama e próstata.

Algumas substâncias encontradas em alimentos podem aumentar o risco de câncer, como as gorduras, nitrosaminas (encontradas em alimentos embutidos e conservados no sal), defumados, corantes e pesticidas. Eles aumentam o risco, principalmente se a ingesta for frequente e exagerada. Portanto, não são proibidos, mas devem ser consumidos apenas esporadicamente.

Para terminar, não sejamos escravos das dietas impossíveis de seguir, nem glutões que só pensam em comer. Devemos comer para vivermos bem e também aproveitar as “escapadas” da rotina e termos prazer com a comida e companhia dos amigos.

Hélio Toshio
CRM-SP 124.740
Cirurgia geral e Oncocirurgia